segunda-feira, 9 de abril de 2012

Temor e desinformação envolvem hidrelétrica binacional no Rio Uruguai

Notícia postada no site Ambiente Já!

Ameaça real e imediata. Uma situação factual do cotidiano deu início a um inédito projeto de educação ambiental e jornalismo. O anúncio, em 2008, pela imprensa de que os governos do Brasil e Argentina uniriam esforços para construir hidrelétricas no Rio Uruguai, o complexo de Garabi, despertou a curiosidade do professor e jornalista Carlos Dominguez. A possibilidade de a nova usina deixar o Salto do Yucumã e o Parque Estadual do Turvo submersos levou o professor e mais quatro alunos a conhecer a realidade e praticar a educação ambiental aplicada ao jornalismo.

Por mais de dois anos a equipe do Curso de Jornalismo do Centro de Educação Superior Norte – RS (Cesnors/UFSM) desenvolveu o projeto Diversidade Ambiental: Ribeirinhos do Rio Uruguai e moradores do entorno do Parque Estadual do Turvo. Neste período, utilizando técnicas jornalísticas foram realizadas gravações com os moradores do entorno do parque, no município de Derrubadas, sede do maior parque estadual gaúcho e último lar da onça pintada no Rio Grande do Sul. Além do registro em vídeo das histórias de vida e manifestações culturais típicas no contato com a terra e a mata foi trabalhado o discurso ambiental, em especial com a questão de viver próxima a uma área de preservação e as contradições que este fato gera.

O material recolhido resultou em um vídeo-documentário no estilo grande reportagem de telejornalismo com 30min mostrando a opinião de moradores e autoridades locais sobre o problema que a criação da usina teria para a população de Derrubadas. Este vídeo, num segundo momento, foi levado para a rede escolar municipal, onde alunos da primeira a oitava série assistiram a uma palestra, a reportagem, olharam fotografias e, ao final, realizaram um plantio de mudas nativas.

Além do trabalho de campo, no mesmo período de tempo, foi sendo recolhido material na mídia impressa e sites de veículos de comunicação que tratavam do tema Usina de Garabi. Ali estão sendo analisados os fluxos dos discursos ambientais por meio da análise do discurso.

Como resultado parcial do trabalho de extensão junto a população foi possível verificar, de acordo com os acadêmicos Clarissa Hermes, Letícia Sangaletti, Lucas Wirti e Mariana Correa, uma grande desinformação sobre a questão da barragem e o possível alagamento do Salto do Yucumã. Já no lado argentino, na localidade de El Soberbo, foi verificado junto aos depoimentos recolhidos a existências de mais informações sobre Garabi e os efeitos da usina sobre o ambiente local. É interessante destacar que tal fato se deve a somente a população argentina explorar turisticamente o potencial do Salto do Yucumã com, hotéis, pousadas e passeios de barco. No lado brasileiro não há exploração turística significativa.

Esta população, de aproximadamente 5 mil pessoas moram no entorno do parque. Geograficamente, o Rio Uruguai divide uma grande área binacional de preservação de floresta subdecidual de aproximadamente 80 mil hectares, sendo 17 mil hectares no Brasil e o restante na Argentina, no parque provincial de Moconã. Exatamente no centro desta área encontra-se o Salto do Yucumã (Salto del Moconã em espanhol), a maior queda d'água longitudinal do mundo, com 1,8 quilômetros de extensão. O local, além da inigualável beleza paisagística, o local é um dos últimos habitats de inúmeras espécies da fauna e flora, além de inquestionável biodiversidade.

Tudo isto está ameaçado de começar a não mais existir a partir de 2012, data prevista para começarem as obras do empreendimento binacional. Felizmente, já existe um movimento na sociedade civil pro-Yucumã. Acompanhe mais sobre o assunto no blog http://salveosaltodoyucuma.blogspot.br

(Por Projeto Ribeirinhos Rio Uruguai, EcoAgência, 20/09/2010)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Mais um passo na integração energética da América Latina


Foto do presidente da Eletrobras, José da Costa, com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, discutindo as usinas Garabi e Panambi com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, e o ministro de Planejamento argentino, Julio de Vido, em Buenos Aires
O Consórcio Energético do Rio Uruguai, composto pelas empresas brasileiras Intertechne Consultores S. A. e Engevix Engenharia S.A e pelas empresas argentinas Consular Consultores Argentinos Asociados S.A, Grupo Consultor Mesopotamico S.R.L., I.A.T.A.S.A Ingeniería y Asistencia Técnica Argentina Sociedad Anónima de Servicios Profesionales, e Latinconsult S.A., saiu vencedor da licitação internacional para contratação dos estudos de engenharia e estudos ambientais do projeto Garabi/Panambi. O resultado foi comunicado nesta semana pela estatal argentina de energia Ebisa, parceira da Eletrobras no projeto e responsável pelo certame.
O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, destacou a importância das usinas hidrelétricas Garabi e Panambi, projetadas na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, para a internacionalização da companhia. “Estes projetos são a primeira iniciativa binacional com a Argentina e promovem o fortalecimento da integração do Brasil com o segundo maior mercado de energia elétrica da América do Sul”, disse o executivo. O presidente esteve na semana passada em Buenos Aires com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para discutir as usinas com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, e o ministro de Planejamento argentino, Julio de Vido (foto).

O próximo passo será a assinatura do contrato com o consórcio, ainda sem data definida. Após isso, a previsão é que os estudos sejam concluídos num prazo de até 24 meses. As duas usinas somam 2.200 MW de capacidade instalada e devem receber investimentos de US$ 4,8 bilhões, em aproximadamente quatro anos de obras.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Eletrobras

terça-feira, 20 de março de 2012

vale compartilhar...

Temos recebido bastante apoio do pessoal que lê nosso blog!Nada como compartilha-las!

Boa tarde!
 
Estou enviando este e-mail para parabenizá-los pela belíssima iniciativa!
 
Moro em São Borja - RS, aqui o Rio Uruguai é tão poluido que é proibido entrar na água, ao visitar Derrubadas e ver o Parque do Turvo, fiquei emocionada ao ver a beleza do nosso Rio nesta região, para mim o lugar mais belo do Rio Grande do Sul é esse e é muito pouco divulgado.
 
Parabéns pessoal!!
 
Att
 
Laisla Thaís Lopes
Departamento de Peças - Estoque e NFe
Redemaq / RS

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um parabéns bem grande!





Ontem o grupo recebeu uma excelente notícia: nosso professor e mestre orientador, Carlos Domingues, recebeu a notícia que de o projeto "Ribeirinhos do Rio Uruguai" lhe renderia muito mais que algumas boas histórias para contar ou alguma frustração com a política nacional e internacional. Ontem nosso amigo, professor e exemplo de profissionalismo: Cadré, nos informou que a partir do próximo ano é o mais novo futuro doutor pela UFRGS.

O projeto de tese aprovado para tal fato? Ribeirinhos do Rio Uruguai.

Sim, nosso projeto alçou voos mais altos depois desta notícia. Os planos de futuro do até então amado professor do Cesnors já se mostrou não caber mais naquela "média" cidade.
Lembro de alguns dias atrás ele falando da vida. Falava que precisava de algo novo. De algo que animasse a pacata vida de um cara da cidade grande que foi ganhar a vida, do lado da grande família, no interior. Seu talento e sua criatividade mereciam algo além. Algo maior. Pois aí está, e nada mais que o merecido!

Cadré, quero que saibas que foram diversos os dias que sentamos a mesa de um bar para pensar sobre os rumos do nosso projeto. Foram em todos esses momentos que aprendemos a enxergar o além daquilo que nossa faculdade oferecia. Você nos mostrou que é necessário sair da zona de conforto e sujar as calças para conseguir algo que os outros não têm.

Você, que fez aquele belo discurso de formatura, nos fez viver histórias que contaremos a amigos, filhos e possíveis netos.

Enfim, Cadré! Saiba que não foi graças a nós que isso se tornou realidade. Foi graças a você, que nos arrastou junto nessa empreitada, um a um, que hoje teu presente lhe sorri.

Sorte, sucesso, felicidade, saúde e boa memória. Para lembrar a cada dia de cada um dos loucos dias de aventuras que vivemos.

Porque tu é O CARA!

Agricultores resistem à construção da Usina Itapiranga

Alvo da manifestação foi o escritório da Eletrosul, que estaria trabalhando de forma impositiva para viabilizar a obra.

Por Leandro Kempka

Centenas de pessoas, a maioria agricultores dos municípios de Itapiranga, Pinheirinho do Vale, Vicente Dutra e Caiçara, participaram de uma manifestação, na sexta-feira, 25, contra a realização dos estudos para a construção da Usina Itapiranga.

A marcha iniciou no Colégio Agrícola de Itapiranga rumo ao centro da cidade, onde aconteceu manifesto em frente ao escritório da Eletrosul – instalado para intermediar nas negociações e realizar os estudos de impacto ambiental da usina. O ato encerrou às margens do rio Uruguai, onde peixes nativos foram soltos com o objetivo de alertar para a diminuição das espécies.

De acordo com o coordenador-regional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Marcelo Leal, os técnicos do escritório da Eletrosul – recentemente instalado em Itapiranga – estariam trabalhando com uma linguagem impositiva, o que desagrada os agricultores. “O pessoal está dizendo que a usina vai ser construída de qualquer forma, mas o fato é que a comunidade está resistindo e ainda não existe estudo algum. O próximo passo será a realização de uma audiência pública com os técnicos da Eletrosul. Vamos reivindicar o fechamento do escritório e a paralisação dos estudos de viabilidade”, afirmou Leal.

Leal ainda explicou que poucas pessoas sabem qual é o verdadeiro impacto, tanto social como ambiental, que a construção do empreendimento vai ocasionar para a região. “São mais de 1,5 mil famílias que irão sair, o que causará o êxodo rural e o empobrecimento da região”, acrescentou.

O gerente de patrimônio e meio ambiente da Eletrosul, Martin Carlos Resener, garante que o trabalho não está sendo realizado de forma impositiva e que o objetivo é apenas cumprir o cronograma previsto pelo Ministério de Minas e Energia. “A gente trabalha com diálogo e negociações, sempre respeitando o rio, conciliando interesses e evitando conflitos. Estamos trabalhando para realizar o estudo de viabilidade técnica e econômica da usina até fevereiro de 2014, como propõe o cronograma do Ministério de Minas de Energia. Vivemos o dilema de conciliar o desenvolvimento com a preservação”, explicou.

Ainda conforme Resener, em termos práticos, depois que os estudos forem concluídos, provavelmente o projeto da usina seja concretizado.

Durante o protesto ainda aconteceu uma palestra com o professor, mestre em Botânica, doutor em Ecologia e Recursos Naturais, Paulo Brack, que falou sobre os impactos ambientais ocasionados pela construção de hidrelétricas no rio Uruguai. Confira a entrevista exclusiva com o especialista na edição de sábado.


Manifestações atrasam implantação da usina
Conforme o cronograma inicial do projeto, após a sondagem geográfica, medições hidrométricas, topografia, cadastro socioeconômico e as liberações de licença ambiental, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizaria o leilão para construção do empreendimento em junho de 2008, com previsão para início da obra em junho de 2009, e início da operação em junho de 2013. No entanto, devido às manifestações contra o projeto, nem mesmo os estudos socioeconômicos foram realizados.