quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

NO a Garabi

Dejemos como legado a nuestros hijos y a nuestros nietos el valor de cuidar y hacer respetar la tierra donde uno vive. NO A GARABI!

CURTA - https://www.facebook.com/pages/No-A-Garabi/156533954379926

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Discurso durante o Prêmio Nobel da Paz


El premio Nobel de la Paz escribió a la Presidenta de la Nación, a los gobernadores de Misiones y Corrientes y al ministro De Vido "sobre el tremendo impacto ambiental y social que causará la mega represa Garabi-Panambi, sobre el rio Uruguay".

Posadas. - Adolfo Pérez Esquivel, Nobel de la Paz en 1980, fue categórico al "tremendo impacto ambiental y social que causará si se continua con el emprendimiento de la construcción de la mega represa Garabi-Panambi, sobre el rio Uruguay".Esquivel obtuvo el Nobel de la Paz en 1980 por su defensa a los derechos humanos durante la dictadura militar.

A continuación se publica la carta completa.Sra. Presidenta
Dra. Cristina Fernández de Kirchner
S__________________________D
C/C:

Sr. Ministro de Planificación Federal, inversión pública y servicios
Arquitecto Julio Miguel de Vido;

Sr. Gobernador de la provincia de Misiones
Dr. Maurice Fabián Closs;

Sr. Gobernador de la provincia de Corrientes
Dr. Ricardo Colombi

Reciba nuestro fraterno saludo de Paz y Bien.

Desde la Fundación Servicio, Paz y Justicia (SERPAJ) nos dirigimos a usted a fin de expresarle nuestra profunda preocupación, como seguramente la de los habitantes de nuestro suelo, sobre el tremendo impacto ambiental y social que causará si se continua con el emprendimiento de la construcción de la mega represa Garabi – Panambi, sobre el rio Uruguay.

Como Ud. Sabrá esta política energética, basada en la energía nuclear y las megas represas están dejando de funcionar por su peligrosidad y sus efectos negativos en los países de Europa y en los Estados Unidos y Japón.

La posible construcción de las represas de Garabi y Panambi estan creando condiciones de alta conflictividad ciudadana y provocando graves violaciones a los Derechos de las personas consagrados en la Constitución Nacional como así
también en la Ley General del Ambiente y leyes provinciales, como la aprobada a finales del 2011, ley que convoca a un plebiscito vinculante obligatorio e irrenunciable para decidir si el pueblo, soberanamente está de acuerdo o no con la construcción de las represas de Garabi – Panambi o cualquier otra que afecte su territorio.

Desde SERPAJ y junto al trabajo articulado de otras organizaciones y personas preocupadas por el tema venimos trabajando desde hace tiempo. Pero esto no alcanza, estamos frente a una clara violación de los Derechos de los Pueblos tal lo expresa nuestra Constitución Nacional en su artículo 41 “Todos los habitantes Piedras 730 (1070) Buenos Aires – Argentina Tel/Fax ( 54-11) 4361-5745 e-mail: secinstitucional@serpaj.org.ar

Miembro del SERPAJ América Latina, con Status Consultivo ante las Naciones Unidas (ECOSOC) y UNESCO gozan del derecho a un habiente sano, equilibrado, apto para el desarrollo humanos y para que las actividades productivas satisfagan las necesidades presentes sin comprometer las generaciones futuras”………”Las autoridades proveerán a la protección de este derecho…..”

Por todo esto y porque queremos confiar en su compromiso con la defensa de los Derechos Humanos y los Derechos de los Pueblos solicitamos su intervención en este caso que es de suma urgencia y cuyos afectados los habitantes del territorio de Misiones y Corrientes nos demandan acciones rápidas y efectivas.

Por eso solicitamos el cese de toda actividad vinculada a los estudios de impacto, diseño de obras, a su adjudicación y a cualquier otra actividad de estudio, exploración, adjudicación, etc. Y a que el pueblo Misionero sea consultado, tal lo establecen las leyes de esa provincia para que sea él quien decida soberanamente.

Le agradecemos toda la atención que pueda darle a este tema tan preocupante para todas las personas que habitamos el suelo argentino y en particular para los misioneros y correntinos, el derecho a la vida exige de una ambiente sano y equilibrado.
Reiteramos nuestros saludos fraternos

Adolfo Pérez Esquivel
Fundación Servicio, Paz y Justicia

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Carlos Wagner: livro expõe realidade dos moradores atingidos por barragens


Relações de Poder na Instalação de Hidrelétricas, de Humberto José da Rocha, explica o conflito entre os moradores das áreas alagadas pelos hidrelétricas com os construtores das usinas

Imagine um triângulo. Em uma das pontas está um país sedento de energia elétrica produzida por hidrelétricas. Na outra, os empreendedores (governo e iniciativa privada). E, no terceiro vértice, o morador da região a ser alagada.

É a explicação dessa equação a que se propõe o livro Relações de Poder na Instalação de Hidrelétricas, escrito por Humberto José da Rocha, 36 anos, professor de Ciências Sociais, da Universidade de Passo Fundo (UPF).

— Rocha dá ao leitor as ferramentas para o entendimento dessa equação, fundamental para compreender os conflitos que estão marcando a construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA) e da herança social deixada pela construção de outras obras do ramo, como Sobradinho (BA) — recomendou Hemerson Luiz Pase, coordenador Núcleo de Estudos em Políticas Públicas (Neppu) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Projeto de Remanejamento da População Atingida por Empreendimentos Hidrelétricos, uma grande pesquisa sobre as usinas construídas no Rio Uruguai, que separa o Rio Grande do Sul de Santa Catarina e da Argentina.

O professor Rocha também faz parte do projeto de remanejamento e a pesquisa, feita na hidrelétrica da Foz do Chapecó, que fica entre as cidades de Águas de Chapecó (SC) e Alpestre (RS) , foi a sua tese de doutorado, defendida em maio na Universidade de Campinas (Unicamp).

Para o morador da cidade parece óbvio que o interesse público pela energia elétrica está acima da comunidade local. O dono da terra a ser alagada pode se definido como aquele que não tem o direito de dizer "não quero sair daqui".

O máximo que pode fazer é barganhar o preço da desapropriação. Vale o mesmo para os defensores dos recursos naturais de uma região: árvores, animais e outras espécies. E para aqueles que zelam pelo patrimônio cultural das comunidades que irão desaparecer sob as águas.

Para a população urbana, todos esses problemas parecem coisas de outro mundo. Mas não são: elas fazem parte do dia a dia das pessoas a cada conta de energia. No livro, o professor Rocha, um pesquisador atencioso e meticuloso, mostra como esses episódios, que parecem tão distantes, se relacionam.

Informações sobre como conseguir o livro?

Telefone 54.33.16.83.73 ou editora@upf.br

fonte: ZERO HORA

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Hidrelétricas: necessidade ou ganância?

O texto

Localizada no noroeste gaúcho e fazendo fronteira com Santa Catarina e Argentina, Derrubadas é uma pequena cidade interiorana de apenas 3.000 habitantes, mas um ótimo lugar para se viver. Nos últimos anos, as construções de hidrelétricas ao longo do rio Uruguai colocaram uma incógnita não apenas no futuro do nosso município como de toda região: o maior potencial turístico regional, o Salto do Yucumã, a maior queda d'água longitudinal do mundo e considerada uma das sete maravilhas do estado, já tem grande parte de suas quedas comprometidas pela ação das usinas, o que se agravará muito mais com a construção de novas hidrelétricas, principalmente com a hidrelétrica de Itapiranga, a pouco mais de 20 km, e com o complexo Garabi – Panambi, um projeto binacional entre Brasil e Argentina e que prevê ser o maior empreendimento hidrelétrico do estado. 
Conforme os idealizadores das usinas e grandes empresários envolvidos, os empreendimentos hidrelétricos gerarão milhares de empregos e serão excelentes para o Rio Grande do Sul, visto que aumentarão a integração energética entre Brasil e Argentina, permitindo que o estado importe menos energia de outras regiões do país, assim tendo maior autonomia nos recursos energéticos. 
Por outro lado, os que são contra destacam os imensos problemas que as barragens provocarão no nosso meio. Comunidades ribeirinhas deixarão para trás suas raízes culturais; o ecossistema local será afetado, pois áreas nativas serão inundadas e belezas naturais, como principalmente o Salto do Yucumã, serão submersas. Logo, o comércio turístico terá uma grande queda já que perderá seu principal sustentáculo. Afirmam também que se o Salto for submerso, perderão parte de sua identidade. 
Contudo, considero a produção de energia fundamental, mas os impactos ambientais e sociais gerados pela construção de tais hidrelétricas são arrasadores e de proporções indiscutíveis, aliás, nossos rios estão todos fragmentados e em desequilíbrio, juntamente com o restante da natureza se tornando mercadorias, por isso, deve-se ponderar o preço que a população e a natureza terão de pagar; a exemplo disso, a perda do maior potencial turístico da região, uma preciosidade, a maior do mundo, que leva seu nome a uma rota e sua beleza e encantamento como referência e orgulho de uma região. Sendo assim fico a perguntar: será que a necessidade energética justifica tantos problemas? 
Na minha opinião, deve-se recorrer a outros recursos energéticos tão renováveis quanto este, mas que causam menos impactos ao meio ambiente, como a energia solar e eólica, que apesar de terem um custo ligeiramente maior que a hidrelétrica, garantem menos transtornos, aliando à preservação da natureza e não perturbando a vida local. Podemos citar como exemplo a China, que concilia seu desenvolvimento diversificando a matriz energética, assim conseguindo menor dependência de combustíveis fósseis e preservando o meio ambiente, motivo que lhe garante o 1º lugar no ranking mundial de energia eólica. Sendo assim, o Brasil também poderia explorar mais este recurso, segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, da Eletrobrás, o país tem capacidade para gerar até 140 GW, porém, atualmente a capacidade instalada não passa de 1% da estimativa. Recentemente, recebemos grandes investimentos que muito contribuíram para o desenvolvimento da área turística, e o município inteiro está se voltando para receber e aconchegar cada vez mais e melhor os visitantes. Estamos depositando tantas expectativas, mas o que faremos se tudo for em vão? É lamentável, mas está sucedendo o mesmo ocorrido com as Sete Quedas do rio Paraná, quando a gigante Itaipu foi construída. 
Enfim, a energia se faz necessária, no entanto devemos procurar alternativas que mantenham o equilíbrio ecológico e não desestruturam alicerces da sociedade, pois hoje não mais podemos escolher focando apenas o lado financeiro, mas também visando um amanhã sustentável, e como Gandhi dizia: “a natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância”. Que façamos algo enquanto há tempo... 

O autor
Ricardo Bauer Pilla, 3º ano 


Sobre o texto
Olá, me chamo Ricardo Bauer Pilla, estudante do 3º ano do ensino médio da Esc. Est. de Ens. Médio Getúlio Vargas, de Derrubadas-RS, a terra do nosso grandioso Salto do Yucumã... Acompanho o trabalho de vocês já faz algum tempo, todas as informações e defesas são ótimas e de grande importância, esta iniciativa de vocês é muito válida e por isso merecem o reconhecimento de tão bela atitude que é a defesa de nossos recursos naturais, principalmente o ameaçado Salto do Yucumã.

Desde junho participei da Olimpiada de Língua Portuguesa - escrevendo o fututo, edição 2012 - na categoria Artigo de Opinião, sendo este que deveria abordar sobre uma polêmica no lugar onde vivo; enfim, escolhi o tema mais difundido e divergente do meu local, "As hidrelétricas e o Salto do Yucumã"... 

Pesquisei muito, e o blog de vocês foi o meu amparo e o meu "Barsa", foi dali que pude tirar minhas próprias opiniões, contras e a favores, exemplos, citações, vozes e argumentos para meu texto; tive a oportunidade de tirar minhas dúvidas, de ampliar meu conhecimento e escrever sobre tal assunto que tanto me deixa inquieto.

Enviamos o tal artigo, e eu e minha professora de língua portuguesa, Marguit Lina Renner Sulczewski, fomos classificados como semifinalistas da olimpíada, e dos dias 26 a 29 de novembro participamos do encontro regional em Belo Horizonte - MG. Neste mesmo local, tivemos mais um resultado, e felizmente fomos novamente classificados para a etapa final, que ocorre em Brasília - DF, no dia 09 e 10 de dezembro, nesta oportunidade conheceremos os 5 vencedores de todo o Brasil. 

Enfim, quero por meio deste ( se há possibilidade) de divulgarem meu texto no blog de vocês, quero fazer parte de mais uma defesa de nosso incontestável Salto do Yucumã e de tantas outras belezas e histórias que estão ameaçadas pela ação das hidrelétricas...

Dia 9, antes de ir para Brasília, terei de fazer o vestibular da UFSM em Frederico Westphalen, chegarei lá em Brasília meio atrasado, mas não posso deixar de fazer o exame que é a porta de entrada desta universidade, e ano que vem, se tudo ocorrer bem estarei "ai" no CERNORS com vocês, mas em Engenharia Florestal...

Meu texto segue anexado, qualquer coisa me contatem por este mesmo endereço de email ou pelo facebook - Ricardo Bauer Pilla -.

Desde já, agradeço pela atenção e por também fazerem parte da defesa do Salto, pois aqui em NOSSO município não há demais preocupações, ou estas não passam do pensamento e daquelas conversas corriqueiras; as ações que são importantes são deixadas de lado...

Por favor continuem defendendo nossa beleza, nosso encanto... Parabéns, do fundo do peito por esta iniciativa.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Estudos de viabilidade em Garabi e Panambi começam em 2013


Em reunião realizada no dia 14 de novembro, em Buenos Aires, com representantes do Brasil e da Argentina, foi reapresentado o cronograma dos aproveitamentos hidrelétricos Garabi e Panambi, dois projetos binacionais que somam 2.200 MW de capacidade instalada (veja o cronograma no fim desta matéria).

Na ocasião, a Comissão Técnica Mista (CTM), instituída pelo Protocolo Adicional ao Tratado Binacional (conheça o tratado aqui), aprovou a minuta de contrato para a realização dos estudos de viabilidade e dos projetos básicos, incluindo os estudos ambientais e de comunicação social dos dois aproveitamentos. Participaram da reunião, pelo Brasil, o superintendente de Geração da Eletrobras, Sidney do Lago, e o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, e pela Argentina, entre outras autoridades, o presidente da delegação argentina na CTM, Oscar Thomas, e o presidente da Ebisa, Edgardo Lluravel.

A expectativa é que o contrato seja assinado em dezembro, ainda sem dia definido, e que os trabalhos de viabilidade sejam iniciados no primeiro trimestre de 2013.
Cronograma do projeto:
Assinatura dos contratos de viabilidade e projeto básico – dezembro de 2012
Início dos trabalhos de viabilidade – 1º trimestre de 2013
Término dos projetos básicos – 2014
Licitação para a construção das obras – 2015
Construção – 2016 a 2020
Início da operação comercial – 2020


Fonte: Assessoria de Comunicação da Eletrobras


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ambientalistas protestam contra hidrelétrica no Rio Pelotas-Uruguai

Em Porto Alegre, um protesto foi realizado para chamar a atenção sobre o alagamento de uma área de 6,2 mil hectares de Mata Atlântica


Manifestantes alegam que "o empreendimento não é ambientalmente viável devido aos graves danos ambientais e culturais não compensáveis e não mitigáveis"Foto: Félix Zucco / Agencia RBS
Lara Ely


O alagamento de uma região rica em biodiversidade para a construção da usina hidrelétrica de Pai Querê, na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem sido alvo de protestos de ambientalistas. Idealizada na década de 70 e ressuscitada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a obra está prevista para a região do Rio Pelotas na divisa entre os municípios de Bom Jesus (RS) e Lages (SC), mas aguarda licenciamento pelo Ibama.

Após uma parada devido à greve, os trabalhos foram retomados na semana passada. Por causa disso, um manifesto de repúdio foi entregue nesta quinta-feira ao Ibama, em Brasília. No documento, os manifestantes alegam que "o empreendimento não é ambientalmente viável devido aos graves danos ambientais e culturais não compensáveis e não mitigáveis".

Em Porto Alegre, um protesto foi realizado para chamar a atenção sobre o alagamento de uma área de 6,2 mil hectares de Mata Atlântica.


Foto: Félix Zucco

Entre os impactos apontados pelo pesquisador e professor da UFRGS, Paulo Brack está a ameaça a espécies raras de fauna e flora.

— O que sobrou de biodiversidade na região está presente justamente no local que será inundado — diz Back.

Responsável pela obra, o consórcio entre Votorantim Cimentos, Alcoa e DME Energética realizou, em março, uma série de audiências públicas para discussão do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (Eira/ Rima).

Na ocasião, entidades interessadas estiveram presentes para esclarecer pontos polêmicos. Os ambientalistas afirmam, porém, que as questões técnicas mais graves não foram contrapostas. O argumento da empreiteira é que o relevo do local que será inundado não é aproveitável para outros fins. A usina deve ter potência de 292 megawatts.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

As Veias Secas da Amazônia

Enquanto os imponentes rios da Amazônia são ocupados por usinas hidrelétricas e tornam o Brasil a "Potência Energética do século 21", o impacto dessas obras nas populações locais continua a ser ignorado

por FELIPE MILANEZ  - Revista Rolling Stones, junho 2012

Às margens do Rio Tapajós, em Itaituba (PA), um encontro de grupos sociais discute os impactos da construção da primeira de cinco hidrelétricas na região. Felício Pontes está com a palavra. Procurador Federal do Pará e atuante em defesa de populações atingidas por usinas, ele aponta no mapa a cachoeira Sete Quedas, um dos locais da construção da usina no rio Teles Pires, formador do rio Tapajós.

“É o local de procriação dos peixes”, Pontes explica, tentando provar que as usinas na Amazônia não são necessárias para o desenvolvimento do país, enumerando formas de desperdícios e energias alternativas. “Sou ruim de matemática, mas é só fazer as contas.”

Em seguida, Kubatiapã (nome indígena de Tiago Munduruku), cacique do povo mundurucu, pede para contar o pesadelo que teve na noite anterior.

“Estávamos andando, um bocado de pessoas. Pintados. Com arco e flecha nas costas, na direção do poente. Num momento vem um avião, passando pertinho. E de uma estrada, para um carro, e eles começam a atirar. O avião metralha. Eu estava com a arma, o arco na mão, que virou uma espingarda 22. O jato começou a atirar contra o povo, na direção dos mais fracos. Gritei para todo mundo entrar no mato. Era como pingo d’agua caindo do céu. Eram projéteis, balas. Nos escondemos, e fomos para essa cachoeira sagrada. Lá é um lugar protegido. Ali está a história”, diz. “Se acontecer a hidrelétrica, o rio Tapajós tem história indígena. Vão acabar com o rio. Vão acabar.”

De acordo com informações do Ministério Público e da organização International Rivers, o governo federal planeja construir três usinas no rio Tapajós, quatro no Jamanxim (um afluente) e seis barragens para o Teles Pires, que, juntamente como o Juruena, forma o Tapajós. Para a bacia toda, que inclui ainda o rio Apiacás, o plano é levantar um total de 16 barragens, que impactariam mais de dez mil indígenas que vivem às margens desses rios.

O pesadelo do genocídio indígena sonhado por Kubatiapã talvez não seja uma fantasia. No encontro, ocorrido em maio, o cacique debateu com lideranças dos movimentos sociais do rio Madeira, como Iremar Antônio Ferreira, do Instituto Madeira Vivo, e Antônia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo. O objetivo é construir uma “aliança pelos quatro rios”, envolvendo Madeira, Xingu, Tapajós e Teles Pires. Jesielita Roma Gouveia, coordenadora do fórum social dos movimentos da BR-163, estrada que está sendo asfaltada e trará impactos à região, foi escolhida para ser a coordenadora do movimento Tapajós Vivo.

“Itaituba cresceu desordenadamente desde a época do garimpo”, reclama Jesielita. “Depois, vieram as madeireiras, e agora os projetos de rodovia, hidrovia, complexos hidrelétricos e PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) que estão no PAC 2, da presidente Dilma. O governo não conhece nossa realidade. Não estamos preparados para receber um projeto desse porte. A gente está sofrendo muito.”